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Se fosse fácil...

Posted by Thais Roland on quinta-feira, junho 25, 2015 in , , , , , ,
Soldando uma peça de DKW na oficina
Às vezes tenho um pouco de medo de influenciar as pessoas. Tenho plena consciência de que sei muito pouco sobre a vida e de que tudo o que faço tem um fator de incerteza envolvido que é sempre assustador.

Quando apareço em revistas ou na TV falando sobre como "larguei tudo" pra fazer o que amo tenho bastante medo de acabar incentivando alguém a fazer alguma coisa completamente no escuro.

Neste ponto é importante dizer que tenho uma parte covarde muito grande e forte, que é o que me impede de fazer muitas loucuras que passam pela minha cabeça.

Hoje o post vai ser longo. Vai ser assim porque resolvi contar a parte que a mídia não gosta de me perguntar porque não é tão "vida louca" como eles queriam que fosse, mas que pode ajudar de forma menos suicida as pessoas que querem fazer alguma mudança drástica como eu fiz.

Precisei decidir minha vida profissional com 17 anos, ao escolher o curso que faria na Universidade. Isso é normal. Quase todo mundo faz assim e quase todo mundo erra, afinal de contas, o que sabemos aos 17 anos? Nem mentir pros nossos pais nós sabemos com essa idade, apesar de acreditarmos que estamos nos saindo maravilhosamente bem na façanha.

Queria ter feito Física, mas fui convencida a escolher alguma coisa com a qual eu também me identificava e que ia me dar um emprego mais fácil. O discurso era: escolhe alguma coisa pra ganhar dinheiro primeiro e depois você faz o que gosta.

Acreditei nessas palavras sem pestanejar.

Comecei o curso de Ciência da Computação e no segundo ano consegui um estágio dentro da própria escola. Me saí bem, comecei a fazer cursos de especialização (Hardware e Linux, a título de curiosidade para os entendidos) e, no último ano da faculdade, surgiu a oportunidade de trabalhar em uma provedora de Internet. Foi meu primeiro emprego com carteira assinada, eu tinha 20 anos e estava muito feliz com a conquista. Cuidaria dos servidores (dois NTs e três Linux) da empresa mantendo o DNS no ar, criando e mantendo contas de clientes e essas coisas.

Perto desta época meu avô tinha falecido desintegrando uma parte da família. Isso me fez repensar muitas prioridades e achei que já estava na hora de partir para realizar meus sonhos. Na minha cabecinha burra de 20 anos eu já tinha alcançado o sucesso profissional e já podia me dar ao luxo de fazer o que me desse prazer. Me mudei pra São José dos Campos e comecei a assistir as aulas da turma de mestrado em Astrofísica no INPE.

Claro que eu ainda tinha que me sustentar, então peguei umas aulas no Senac pra me manter enquanto corria atrás das estrelas. Essa também foi uma oportunidade de ouro na minha vida. A pessoa que me contratou confiou em mim e me encheu de coragem pra entrar numa sala cheia de adolescentes que não estavam assim tão ávidos pelo conhecimento e eu os tinha que convencer de que aquilo tudo era importante e legal.

Me dei muito bem ensinando e, ao mesmo tempo, descobri que a vida de pesquisa acadêmica era muito menos romântica do que eu imaginava.

O Senac investiu muito em mim. Me especializou (em Linux e em Cisco) e eu comecei e ministrar cursos cada vez mais específicos, mais importantes e ser mais conhecida no mercado, o que também me deu algumas oportunidades interessantes em empresas grandes do ramo.

Nesse meio tempo eu me casei...

Um belo dia eu estava no trabalho, meio naquele período mais calmo, vendo coisas aleatórias na Internet e me deparei com um anúncio sobre o Salão do Automóvel. (dá pra presumir já que as tais "coisas aleatórias" eram referentes a carros, né? hehehe)

Resolvi ir. Ninguém topou me acompanhar, então fui sozinha. Mochila nas costas, música nos fones de ouvido, peguei o metrô, depois o ônibus do Anhembi e entrei no Salão. Respirei fundo, saquei o celular com a câmera de fotografias ligada e comecei minha diversão. E foi mesmo muito divertido! Nessa época eu ainda não sabia muito sobre carros além de que gostava muito deles. Me encantei e decidi que precisava conhecê-los melhor.

Depois de tanto tempo dando aula eu já sabia que um bom estímulo para estudar sobre carros seria ter que explicar o que li depois pra alguém. Ainda dentro do ônibus do Anhembi, voltando para o metrô, tive a idéia do blog e o nome Coisa de Meninos Nada. Pareceu tudo perfeito! Cheguei em casa e já criei tudo e escrevi e primeiro post.

Acalmou meu espírito por algum tempo mas, por outro lado, despertou alguma coisa mais intensa que eu ainda não sabia exatamente o que era.

Mais um tempo se passou e uma amiga veio me contar, toda empolgada, que descobriu que o curso técnico do Senai era gratuito! Como eu nunca tinha pensado ou ido atrás disso? Era genial! Fui olhar e vi que tinha que fazer uma prova de seleção e pronto, já tava dentro.

Aí parei pra pensar um pouco e me lembrei que não via aquelas coisas que cairiam na prova de seleção há mais de 10 anos! Dei com os ombros e fiz minha inscrição.

Passei na prova como se aquilo fosse mesmo o meu destino. Português nunca foi um problema. Matemática, desde que aprendi a usar regra de três, a vida deixou de ser um mistério (tirando o Amor, o Amor ainda é um mistério infindável e delicioso. hehehe). Foi bem tranqüilo e deu um friozinho bom na barriga quando fui efetivar minha matrícula.

Até então eu continuava empregada numa, agora, multinacional e estava encarando o curso como um hobby que ia me salvar da depressão da vida.

Me sentia tão bem no Senai que chegava na escola às 19h e cumprimentava todo mundo com "Bom dia"! Todo mundo estranhava, mas, pra mim, era mesmo ali que o dia realmente começava.

No emprego eu já estava há meses pedindo para o meu diretor me demitir. Ele vivia se negando e dizendo que eu devia esperar um pouco mais. Em casa meu prazer era pegar a cachorra pela compridezinha dela e sair correndo atrás do cachorro como se ela fosse um avião perseguindo ele. Eles também se divertiam bastante com isso!

Numa manhã de sábado me caiu a ficha de que meu casamento já tinha mesmo acabado há anos e que eu estava me auto-flagelando permanecendo ali. Pedi a separação e saí de casa.

Um belo dia, chego no trabalho e descubro que meu diretor tinha se desligado da empresa! Saiu pra montar uma floricultura! Pensei imediatamente: japonês sem vergonha!!!! Eu tinha acabado de assinar os papéis do divórcio e um mês depois a nova diretoria me demitiu! Pense num timing péssimo!

Agora sim eu tava em maus lençóis! Ainda assim, me peguei sorrindo ao assinar os papéis da demissão.

Voltei pra casa naquele dia pensando no que ia fazer agora. Senti um desespero, depois um alívio, depois esperança, depois desespero novamente, depois resolvi comer um chocolate.

A indenização pela demissão foi gorda o suficiente para que eu pudesse passar 15 maravilhosos dias em Paris, sem me preocupar com as questões da vida. E foi ali que decidi que não voltaria de imediato para outra empresa de tecnologia. Ainda tinha o seguro desemprego e fôlego para me aventurar de leve no mundo automotivo.

Voltei para o Brasil com muitas propostas de emprego em empresas concorrentes da que eu havia saído e de outras em ramos um pouco diferentes e até mais respeitadas ainda. Recusei todas. Fui procurar um dos professores do Senai pedindo uma orientação pra conseguir um estágio.

Dias depois estava estagiando na oficina de outro professor do Senai. Aprendendo um monte de coisas, me sujando horrores e me divertindo ainda mais. Esta foi outra oportunidade de ouro na minha vida! O cara acreditou em mim e me ajudou demais, ensinando e me abrindo a porta do mundo das oficinas.

Quando o estágio estava quase terminando recebi uma proposta muito interessante de outra empresa do ramo automotivo, e depois mais outra de uma multinacional! Decidi colocar fim na minha carreira em tecnologia e levar a sério a área automotiva como profissão.

Fui escrever sobre carros pra um site especializado, voltei para uma oficina, comecei a fazer vídeos pra Internet sobre carros, apareci em uma grande revista e acabei no lugar que eu sempre imaginei: entre os carros antigos, trabalhando com eles e ensinando sobre eles.

É muito importante parar aqui pra ressaltar algumas coisas...

Primeiro que não fiz nada "na orelhada". Eu tinha alguma segurança para me arriscar desta forma. Se algo desse errado era fácil ainda voltar para os malditos datacenters e continuar com a minha vidinha.

Segundo que não foram só rosas. Me apertei financeiramente, precisei de uma ajuda temporária (bem temporária mesmo, mas ainda assim foi necessária) dos amigos e passei por alguns momentos em que foi realmente necessária a certeza do que estava fazendo pra continuar.

Neste meio tempo, a aquisição do Maverick e de uma sequência de tatuagens me renderam dores de cabeça com a família que eu achei que jamais aconteceriam... A vida jogando na cara que a gente não sabe nada sobre ela.

Eu demorei muito pra tomar essas decisões... anos... o que me faz ter a mim mesma como uma covarde medrosa, mas talvez isso tenha sido necessário para que eu tivesse sucesso... ou eu apenas sofri por mais tempo mesmo...

Ver o hobby se tornar minha vida foi uma das fases mais maravilhosas pelas quais passei (e estou passando, porque não imagino que esta alegria vá terminar nunca), mas é muito importante lembrar de como foi difícil, principalmente emocionalmente, chegar até aqui.

Muita coisa continua quebrada pelo caminho e, assim como o meu Maverick, vou restaurando tudo com calma, no tempo certo e da maneira certa. Mesmo que pareça ter abandonado algumas partes, elas estão aqui, na minha cabeça, cozinhando, aguardando a melhor solução.

Enfim, tudo o que eu queria dizer com toda essa embromação é que se tem alguma coisa que você quer mudar na sua vida, mude! Não porque eu estou dizendo ou porque você viu o que eu fiz e decidiu fazer também, mas porque isso vai fazer você ficar bem consigo mesmo e só consigo mesmo, que é o importante. Se a opinião dos outros faz diferença pra você, tentar mudar só vai te fazer ficar pior, mas se o que importa é o que você quer da sua vida, vale a pena tentar.

Boas decisões e até a próxima!

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50 anos do Aruanda, primeiro carro conceito brasileiro

Arte por Clube do Carro Antigo do Brasil

Texto de Gláucio Junqueiroz Teixeira

Em 1965, no Salão de Turim, Itália, foi apresentado ao público o Aruanda, primeiro carro conceito brasileiro. Tratava-se de uma concepção totalmente revolucionária e que lançava as bases dos automóveis dos dias de hoje.

Para celebrar esse acontecimento histórico, Ari Rocha, criador do veículo, fará uma palestra especial relembrando os desafios e a importância do projeto.

O evento será realizado durante o II Encontro Brasileiro de Autos Antigos de Águas de Lindoia, Sábado, dia 06/06/2015 às 14h, no Estande do Clube do Carro Antigo do Brasil.

História do Aruanda

Considerado um salto para o futuro, o Aruanda atendia a quesitos não usuais na época. Primeiro carro em forma de cunha em todo o mundo, sua aerodinâmica projetava o mínimo de resistência ao ar visando melhorar o desempenho e colaborar com a economia de combustível. De dimensão reduzida, mostrava-se como alternativa ao de trânsito que um dia viria a se tornar o grande desafio urbano. O projeto trazia ainda a preocupação com a segurança dos passageiros além de baixa ou nenhuma emissão de poluentes.

Criado pelo então jovem estudante de Arquitetura, Ari Rocha, o Aruanda recebeu o Prêmio Lúcio Meira no Salão do Automóvel de S.Paulo, em 1964.  O carro foi construído nas oficinas da Carrozzerie Fissore, na Itália, e foi considerado como o principal destaque no Salão de Turim, onde recebeu premiação especial. Após o grande sucesso internacional, Rocha voltou ao Brasil trazendo sua criação.

Apesar de várias propostas, a ideia de produção industrial do veículo foi frustrada. Após ser exibido numa série de eventos, o Aruanda foi dado como desaparecido. Reencontrado após 30 anos, foi restaurado pelo renomado Ricardo Oppi e hoje é uma prova material do arrojo e da criatividade brasileira.

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Monarca – um marco do automobilismo brasileiro

Monarca em seu relançamento no evento Clássicos do Brasil, em janeiro de 2015

Este é um carro muito especial. Foi idealizado e construído por italianos, mas em solo brazuca.

O desejo do empresário Ruy Machado de Almeida foi colocado no papel por Oliviero Monarca em parceria com Anísio Campos e construído por ninguém menos que Toni Bianco, junto com Danilo Grazzi, na oficina Monarca, no bairro do Bixiga, em São Paulo e é considerado o primeiro veículo fora-de-série do Brasil.

Toni Bianco ao lado do Monarca após 60 anos de sua construção, junto com Ricardo Oppi
Isso aconteceu na década de 50! Oliviero Monarca desenhou aproximadamente 10 carros e este parece ser o único remanescente.

Tem a plataforma de um Porsche 356 (que se vê na foto abaixo) , mas assim como todos os outros Monarcas, sua carroceria é super exclusiva. Reparem no parabrisa. Este foi um dos pontos mais importantes ao identificar-se a plataforma do veículo quando a restauração foi iniciada.

Porsche 356 Speedster
O carro foi restaurado na oficina do Ricardo Oppi, onde trabalho atualmente e eu tive a grande honra de participar de parte do projeto. Ele foi totalmente reconstruído a partir de apenas duas fotos de referencia e agora está assim!

Eu ao lado de Ricardo Oppi no relançamento oficial do Monarca, no evento Clássicos do Brasil

Bonito, né? Mas pensa no trabalhão que deu vendo como ele chegou na oficina!

Estado do Monarca antes do início do trabalho de restauração. Arquivo de Ricardo Oppi

E isso aqui era tudo o que se tinha para fazer o trabalho!

Duas únicas fotos utilizadas como referência para a restauração do Monarca

É... restauração é isso! :) Na verdade, ainda não terminou... Alguns detalhes ainda estão em construção e mais uma foto surgiu após o relançamento do carro, que vai contribuir com o término da restauração. Ainda assim, ele já está lindo e com todo o garbo e elegância da época em que nasceu. ;)

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Eu Consegui


Eu criei o Coisa de Meninos Nada em outubro de 2008. A idéia me veio dentro do ônibus do Anhembi. Eu estava voltando do Salão do Automóvel e pensando em como eu gostaria de escrever sobre carros, mas não teria oportunidade em nenhum lugar decente já que não sabia quase nada sobre o assunto.

Dei aula durante muitos anos e aprendi muito estudando para poder ensinar. Foi daí que me veio “A Luz”. O percurso do ônibus do Anhembi, da feira até o metro Tietê deve levar uns 15 minutos, no máximo, mas foi tempo suficiente para eu chegar à conclusão de que era isso que eu precisava fazer... estudar e começar a escrever sobre carros, mesmo que eu escrevesse bobagens no início, era a forma de eu começar a aprender mais sobre esta paixão que me acompanha desde criança.

E assim eu fiz... ainda dentro do ônibus eu bolei o nome do blog e já tratei de criar tudo e escrever o primeiro post assim que coloquei os pés dentro de casa.

Inicialmente eu pensei que poderia escrever sobre carros, música e tecnologia, e tudo mais o que me agradasse. Seria um blog de Coisas da Thais e, provavelmente, só para a Thais. Hahaha. Mas não é que as pessoas começaram a ler? E comentar! E eu acabava escrevendo mais sobre carros do que qualquer outra coisa, anyway.

Tava na cara que era isso mesmo que me encantava. A música sempre fez parte da minha vida também, mas nunca foi a mesma coisa. Lá com meus 13, 14 anos de idade eu tocava clarinete na Banda Municipal de Salesópolis (pasmem!). Sim! Na época que nos mudamos de São Paulo pro Horizonte Perdido eu tinha que me ocupar com alguma coisa e foi isso que escolhi. Era legal e tudo mais, mas não vingou. O que vingou mesmo foram os carros.

Fiz o curso Técnico em Manutenção Automotiva no SENAI, fiz estágio na oficina do Psor Fábio, por indicação do Psor Marcelino, trabalhei com o pessoal do CarZ escrevendo pro site do Autoshow, inclusive cobrindo semanalmente o Autoshow Collection, mas deu saudades da oficina, onde me senti tão a vontade, e voltei pra lá. Trabalhei na Garagem São Paulo e então recebi o convite para dar aulas de mecânica no Clube do Carro Antigo do Brasil.

Essa parte foi foda demais! Eu sempre amei carros antigos (dá pra perceber, né? Já que comprei um Maverick, meu sonho de infância!) e queria mesmo me especializar nestes, mas não esperava que fosse chegar a ensinar a arte da restauração! Mais foda incrível ainda foi quando o Ricardo Oppi me convidou para trabalhar com ele! Na oficina dele (que tem tantas alfas e peças de alfas que apelidamos carinhosamente de alfisina, nome que meu grande amigo Irineu Desgualdo já tinha inventado)! Isso, pra mim, significou: Eu consegui!

Já apareci em revistas e na TV algumas vezes por causa da minha mudança radical de profissão deixando para trás uma carreira consolidada pra começar tudo de novo e, em parte, pelo fato de eu ser uma mulher dentro de uma oficina, mas o que me importa mesmo é que Eu Consegui! Hoje trabalho com o que amo e faço isso feliz!

Não tenho mais tempo pra nada, mas estou escrevendo aqui hoje em uma tentativa de retomar as atividades do Coisa. A idéia é contar um pouco do que faz parte da minha vida: um pouco sobre os carros, um pouco sobre a rotina da oficina, um pouco do que eu fazia no Deixa que eu Faço, um pouco de tudo...

Não dá pra prometer, já que to trabalhando o dia todo na alfisina e as noites e sábados no Clube do Carro Antigo, mas o pouco que eu conseguir escrever por aqui e alguma contribuição eventual que eu puder fazer lá no Vadio Amor já vai ser bacana outra vez.

E vamos que vamos... agora, só pra ostentar um pouco... vai a lista de lances onde eu apareci. hahaha

Revista Epoca 801 - Como Achar o Trabalho da Sua Vida










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Velocímetro de Emoções

Posted by Thais Roland on quinta-feira, outubro 02, 2014 in , ,
Olha eu dando as caras por aqui de novo. 

Hoje vim recomendar uma leitura mais suave pra vocês. 


Meu amigo Luiz Marinelli publicou recentemente seu livro Velocímetro de Emoções. É um livro de contos sobre pessoas e... carros. Hehehe

Os contos são super interessantes e a forma como o Luiz escreve é... magnífica! Poucas pessoas são capazes de colocar imagens nas nossas cabeças através das palavras como ele consegue. 

Super recomendo! Não vão se arrepender!


Até a próxima! Beijos aos Coisos. 

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Eu e o filho do Demônio

Posted by Thais Roland on quarta-feira, agosto 27, 2014 in , , , , ,

A vida toda fui meio menino. Quando era criança meus brinquedos eram, em sua maioria, carrinhos e eu adorava me divertir com eles, especialmente com um Maverick de plástico que vinha com alguns outros carros numa cegonheira. Ainda tenho esse carro. Ele me acompanhou por toda a minha vida. Estava sempre nas malas da mudança comigo e hoje dorme na mesma cama que eu.



Nasci numa época em que as ruas eram repletas de Fuscas, Opalas, Passats, Corcels, Monzas, Chevettes, Kombis, Gols quadradinhos e essas coisas. Nesse tempo era muito comum os donos mexerem nos seus próprios carros quando o reparo necessário era alguma coisa simples, como trocar/regular um platinado, por exemplo. Aliás, naquele tempo o povo fazia de tudo em casa, nunca vi meu pai chamando ninguém pra trocar uma resistência de chuveiro, arrumar a instalação elétrica ou hidráulica da casa. Meu pai fazia isso, meu avô fazia, alguns dos meus tios... e eu estava sempre por ali, xeretando...


Além disso, meu avô sempre foi louco por ferramentas. Tinha um barracão em casa entupido de coisas legais... chaves, furadeiras (inclusive uma de bancada que eu sempre achei o máximo), morsas, um compressor, serras... tinha de tudo ali! E era onde eu passava todas as minhas tardes, depois de voltar da escola, até meus pais chegarem pra me buscar.


Essa tralha toda ficava na casa do meu avô porque ele curtia mesmo e vivia chegando com algum “brinquedo” novo, mas imagino que ele precisasse justificar a posse daquele monte de coisas (hoje sei bem como funciona essa coisa de casamento) então arrumava e pintava carros e geladeiras na garagem. Mais uma vez, eu ficava lá acompanhado tudinho (inclusive me coçando toda por causa da lã de vidro que desmontávamos das geladeiras) e ajudando. Ajudava a desmontar coisas, lixar coisas, desamassar coisas e, o mais divertido de tudo, encerar os carros no final!

A vida me tirou de perto do meu avô, fez eu me meter com tecnologia, tirou meu avô da minha vida definitivamente e empacotou meu lance com carros por um tempo. Mas a gente sabe como paixão funciona, né? Demorou um pouco, mas quando ela foi desempacotada voltou a fazer parte da minha vida com toda força!


O primeiro passo foi começar a escrever sobre carros, bem amadoramente. Criei um blog (este aqui que você está lendo agora. hehehe) e me divertia postando fotos e fatos de carros que eu curto. Adorei tanto a brincadeira que resolvi fazer um curso de mecânica e levar o hobby um pouco mais a sério. Entrei no SENAI e comecei o curso Técnico em Manutenção Automotiva.


Conheci um monte de gente legal! Aprendi um monte de coisas impressionantes e apaixonantes sobre meus objetos de afeto sobre rodas e vi um mundo novo surgindo diante de mim! Da noite pro dia as coisas pareceram claras pra mim: eu precisava transformar aquilo na minha vida.


A paixão por Mavericks me acompanhou por todo o tempo, mas eu nunca achei que teria um. Na verdade, nem pensava muito nisso... parecia impossível demais então não me iludia. Mas sempre que pensava em carro dos sonhos eram as linhas do Maverick que me vinham à mente e um sorriso se estampava no meu rosto automaticamente. 


Numa certa altura do campeonato, estava eu, feliz e contente, já me sujando de graxa e achando tudo o máximo, quando ele apareceu na minha vida! No caminho pro trabalho tive que sentar do outro lado do ônibus (tenho umas manias com relação a padrões, mas isso não vem ao caso agora) porque ele já estava meio cheio e, de repente, no meio do caminho, avistei um Maverick estacionado numa outra oficina, com uma placa de VENDE-SE.



Enlouqueci durante alguns minutos dentro do ônibus! Me recompus e tentei esquecer.


Impossível! No dia seguinte, sentei novamente “do lado errado” do ônibus, na esperança de ver o carro mais uma vez. E no outro dia. E no outro também... Até que não agüentei e desci do ônibus pra ir lá ver de perto.


Ele estava horrível! Era preto, mas a pintura estava tão queimada que parecia envelopado. Não funcionava, segundo o responsável pela oficina, por causa de um tucho quebrado e o interior, oh, meu deus, o interior... todo branco, novinho, parecia o carro de um cafetão.


Era um carro que deveria afugentar qualquer um que tivesse um resquício de sanidade, mas eu fiz uma coisa muito errada naquele dia... encostei no carro. Encostei nele e a mágica aconteceu. Não foi nada demais... foi apenas uma colocadinha de mão no teto dele, mas foi o suficiente pra ele me enfeitiçar. Sentir a lata dele tocando minha mão foi... foi... tudo o que eu sonhava. Ele era tudo o que eu poderia imaginar na minha vida e não importava o fato de ser um péssimo negócio... minha alma gritava: LEVA ELE!!!! E meu bolso suplicava: PEDE PRA ALGUÉM TE DAR UM TAPA NA CARA!!!


Negociei durante meeeeeeses com o dono do carro, até que ele me vendeu meu sonho! No dia que fomos ao cartório para transferir os documentos eu chorei! Eu tinha um Ford Maverick e ele não era mais de plástico!



Pouca gente sabe, mas era pra ele se chamar Kevin. Era o nome mais americano que eu podia pensar para o meu muscle car. Mas um amigo, numa noite de cervejada, sugeriu Damien. “É o nome do filho do demônio no filme A Profecia!”, ele disse. Não poderia ser mais perfeito! Assim ele foi batizado! Damien.


Até hoje gasto o que tenho e o que não tenho com ele. Comprei um carro realmente péssimo e isso não me incomoda nem um pouco! Pelo contrário, é meu laboratório, minha escola e minha terapia. Ando sem tempo pra mexer nele e isso me incomoda um pouco, mas só de saber que ele está ali e é MEU, me enche os olhos de lágrimas.



Não há um dia sequer que não me lembre do meu avô. Tudo o que acontece hoje na minha vida, com relação aos carros é pelo que passei com ele quando criança. Nunca tive nenhum outro tipo de estímulo com relação a isso senão por ele e, poxa vida, como sou feliz hoje! Sendo mecânico fêmea e tendo meu próprio Maverick do inferno!



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Como trocar uma lâmpada no seu carro?

Posted by Thais Roland on quarta-feira, novembro 06, 2013 in , , ,
Te irrita ter que pagar para alguém fazer um trampo tão simples no seu carro? Então aprende aqui e faça você mesmo. ;)


Toma cuidado com as lâmpadas bipolares... você nunca sabe o que ela pode fazer! hahaha

Beijão, galera, e até o próximo post!

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