Chegamos na época dos presentes e tem um montãozão de crianças que não têm condições de ganhar nada, então nossa Diva do Automobilismo Brasileiro se encarrega de fazer a alegria da criançada doando brinquedinhos! Lindo demais, né? E o mais lindo é que vocês podem fazer parte disso também! Doando brinquedos em bom estado ou novos pra engordar o saco da Mamãe Noel mais linda desse mundo! Que tal? A gente, eu e o Prieto da Prieto Automobile, estaremos na Caixa D'Água da Vila Mariana, em São Paulo, neste domingo, dia 15 de dezembro de 2019, no encontro mensal do Clube do Galaxie, pra ajudar a nossa Rainha das Pistas a juntar os brinquedos. Esperamos por vocês lá e também no dia 22 de dezembro, em Interlagos, com a nossa Musa, pra distribuir os brinquedíneos!
Ah! E no dia 15 vai ter sorteio de brindes na Caixa D'Água, hein! Não percaaaammmm!!!
Estive com o Beto Padron e a Laiza Medeiros, na oficina DriftClub Garage pra conhecer um pouquinho sobre o mundo do Drift e vocês conferem a entrevista no vídeo de hoje!
A galera é ótima e quem quiser montar um carro pra começar a competir pode falar com eles que estarão em boas mãos! Aqui vão os contatos:
A BorgWarner convidou o CMN pra assistir a Copa Truck em Interlagos! :D Eu nem vou ficar enrolando com blá blá blá aqui! Assistam o vídeo! :D
Mas eu não vou deixar vocês sem um texto bacana... A pessoa que eu conheço mais apaixonada por competições é o Milton Rubinho e encontrei um ótimo texto dele falando sobre os caminhões dicurrida. Apesar do texto ser de 2016 o conteúdo técnico é muito interessante! Cá está e eu espero que vocês curtam tanto quanto eu curti! :D
Das Estradas Para As Pistas… e Vice-Versa: O que há por trás dos motores da Formula Truck
Por Milton Rubinho
Dentre todas as categorias nacionais do automobilismo, uma chama atenção, de leigos e experts em automobilismo, pelo simples fato de existir: a Formula Truck. E eu, como bom alucinado pelo esporte a motor, daquele tipo que acompanha até Campeonato Finlandês de Turismo, não tenho o menor preconceito acerca dos brutos e grandalhões. Muito ao contrário, sempre admirei o fato de ser uma das últimas categorias de automobilismo, no Brasil, a usar mecânica pertencente ao veículo, ou no mínimo, pertencente à marca do veiculo.
O Trabalho executado em vida pelo grande Aurélio Batista Felix, e que continua com Neusa Navarro Felix (esposa do Aurélio) e família, segue de forma firme e solida, aliando uma série de fatores que dificilmente se vê em qualquer competição esportiva atualmente: Espetáculo, Competitividade e um Campo de Trabalho que permite inovações tecnológicas, as quais se aplicam também nos veículos que trafegam levando cargas e histórias pelo Brasil, e porque não dizer, pela América Latina.
Uma coisa, que deve ser salientada aqui, é a extrema acessibilidade das equipes da categoria. E essa extrema acessibilidade, num ambiente de paddock o qual se podia conversar com mecânicos, chefes de equipe, técnicos e pilotos, me permitiu descobrir varias facetas destes brutos que são desconhecidas da maioria das pessoas.
Desde já, deixo aqui registrado meus agradecimentos às equipes da Iveco, e da Mercedes Benz e ao Sr. Jairo Pachenki, pai do piloto Diogo Pachenki, que me deu uma aula do que é um Formula Truck.
Caminhão de Diego Pachenki, último “bicudo” da categoria. Correndo desde 1997, provavelmente não correrá ano que vem.
Nessa matéria, nos focaremos mais nos aspectos referente aos motores. Ai vai:
Capacidade Cubica : 12.000cm3 em todos os caminhões, exceto os Ford, que usam motores 9000cm3 e nos Iveco, que usam 13.800cm3 (parece muito, mas não se esqueçam: são caminhões...). Nesse caso, são as capacidades cubicas dos caminhõe de rua.
Motor MAN utilizado no caminhão VW de Felipe Giaffone, 12 litros.
Sistemas de injeção e controle do motor: Antigamente, era utilizado o famoso sistema de bomba injetora mecânica e bico. Atualmente, por regulamento, todas as marcas usam injeções eletrônicas, em suma maioria Bosch, sendo que algumas equipes utilizam eletrônica Bosch Motorsport 10.1, e outras eletrônica Bosch original, porém modificada para uso em pista. A Volkswagen utiliza eletrônica própria. Além disso, devido às normas de emissão de poluentes, todas as versões de rua dos caminhões de pista usam injeções eletrônicas também.
Detalhe do motor MAN.
Injeção Bosch Motorsport 15.1, uma das melhores existentes hoje.
Turbocompressor Borg Warner
Turbocompressores: Atualmente, duas marcas fornecem. A Borg-Warner fornece para a suma maioria das equipes do grid, sendo a Iveco a única marca utilizando turbos Garrett. No caso da Borg-Warner, são permitidos apenas dois modelos de turbos, K365 e K37. A pressão de trabalho dos turbos oscila entre 2 e 3 Bar. Proibido o uso de Bi-Turbo, expediente utilizado pela Scania no caminhão de Roberval Andrade em anos anteriores.
Turbocompressor Borg Warner instalado em motor 9 litros Cummins do caminhão Ford de Djalma Fogaça
Restritor no Turbo: é um expediente utilizado pela organização da categoria para que haja um nivelamento de performance durante o ano. São colocados restritores na entrada de ar dos turbos de acordo com a posição no campeonato.
Turbocompressor Garrett instalado em caminhão Iveco, única marca de caminhão que utiliza tal turbo.
Pistões, bielas, anéis, e etc.: Tudo liberado. Pode-se utilizar peças forjadas sem qualquer problema, mas muitas equipes utilizam peças originais.
Motores reserva. Nunca se sabe quando uma válvula pode quebrar...
Rotação máxima dos motores: 3400 a 3500 rpm. Como comparação, um motor de caminhão de rua dificilmente passa do 3000 rpm.
Escapamento: Saída única, com proteção na ponteira, para evitar lançamento de peças do turbo, em caso de quebra.
Detalhe do escape único do caminhão de Wellington Cirino
Ponteira com proteção para evitar que pedaços da turbina sejam lançados em caso de quebra.
Comando de Válvulas: Modificados em todos os caminhões, exceto nos MAN, que usam a peça original.
Ajustes no comando de valvulas do caminhão de Pedro Muffato.
Ajustes sendo feitos no caminhão de Alex Fabiano.
Potência estimada: entre 1100 e 1300 cv. Num caminhão de rua, dependendo do modelo, atinge os 480 cv.
Uma questão que muitos comentam sobre a categoria, e que tem mais de uma explicação, é a limitação de velocidade em um trecho de reta, o chamado “radar”, no qual os caminhões tem que passar a 160km/h(que parece difícil para um caminhão de rua, mas vale lembrar que já houve caminhão de pista que atingiu 242km/h).
A primeira explicação, e mais logica a primeira vista, e a segurança. Imaginem um caminhão, 5 toneladas, freando seguidas vezes ao atingir 240 km/h, em uma hora de corrida. Não parece o cenário mais seguro.
E a segunda explicação: Pela sua concepção, o motor de um caminhão é uma maquina voltada para uso em rotações mais baixas, e não em altos regimes de rotação. Sendo assim, o fato de ele acelerar, frear e acelerar de novo, é muito melhor do que cruzar uma reta de 1 km ou mais em rotação máxima.
E, com esse texto, fechamos o que há por trás dos motores dos brutos das pistas. Mas, um caminhão não é só motor. Também há outros sistemas, que em breve serão retratados em outro texto. Até mais!
Essa entrevista é super interessante por si só, mas o motivo que levou a ela neste momento é mais show ainda. Eu nunca tinha visitado um dinamômetro e então o Milton (que você pode seguir no Facebook e no Instagram) me convidou pra ir com ele até a Hard Garage (que você pode seguir no Facebook e no Instagram) pra fazer um acerto no Focus usando o dino de rolo deles.
#Focus71 esperando sua vez pra entrar no dino
Super topei e aí, pra contar os detalhes do evento, achei mais legal que ele fizesse isso. Então… veio a entrevista.
CMN: Milton, conta pra gente, antes de mais nada, qual a sua formação e com o que você trabalha atualmente.
MR: Olá Thais! Bom, eu estou na área mecânica já há algum tempo (quase 20 anos!). Mas resumindo, sou formado no SENAI em Mecânico de Manutenção, ETEC como Técnico de Automobilismo e sou Engenheiro de Produção Mecânica.
Atualmente, atuo como Técnico em Testes de Motores na GMB/Chevrolet.
E o que eu faço, na prática? Sou pago para testar motores que só estarão nas ruas daqui há alguns anos, num dinamômetro de bancada (maquina diferente à utilizada nos testes que fizemos para o CMN). E eu gosto muito do que faço!
Carro sendo preparado e instalado no dinamômetro
CMN: Agora conta sobre o Focus. Primeiro, os detalhes dele e da preparação que você fez no carro.
MR: É um Focus GL 1.6 2008, que já não tem muita coisa original. Ele é utilizado em competições amadoras de automobilismo, e para tanto, recebeu modificações em freios(Muito necessárias!), suspensão(Sim, ele é rebaixado! Mas com molas e amortecedores apropriados para tal, que ainda conseguem um nível bom de conforto), rodas e pneus, transmissão e, mais importante na nossa matéria, o motor.
Basicamente, é um motor Zetec Rocam 1.6l igual o que equipa outros carros da Ford, mas com modificações em cabeçote(comando de válvulas e retrabalhos na câmara de combustão e nos dutos), alimentação e ignição(tudo gerenciado por um modulo em separado da ProTune), admissão de ar e escapamento. E tudo ajustado por mim, contando com auxilio de vários amigos também. Afinal, amigos servem para isso, não é?
CMN: É seu carro de uso diário também, certo? Como isso funciona? Sei que até seu pai dirige o carro.
MR: Sim! Eu vou e volto de trabalho, viagens, passeios variados e, durante um tempo, foi utilizado até pelo meu pai para levar minha mãe ao mercado, médico, etc. Gosto de poder ir aos lugares com ele, e mais que isso, gosto de chegar nas competições com ele, curti-lo na pista e voltar com ele para casa!
Acelera!!!
CMN: Conta um pouco do seu histórico com competições e sobre as provas que já fez com o Focus.
MR: Vamos lá! Comecei competindo logo na primeira semana em que fui proprietário dele, nos eventos de Regularidade realizados em Interlagos. Com ele, fui vice-campeão em 2013 e campeão em 2014 em tais eventos, e juntamente a isso participo também em track-days, Hot Lap e Pro-Solo.
Um evento muito legal em que participei com ele foi o Dirt Day: um dia inteiro correndo numa pista de terra. Sensacional!(Quer dizer, to tirando poeira dele até hoje...)
CMN: Agora, sobre nossa visita a Hard Garage, você pode contar pro pessoal que não sabe do que se trata, o que é um dinamômetro e pra que ele serve?
MR: Um dinamômetro de rolo, equipamento utilizado nessa visita, é um equipamento no qual podemos medir a potência e o torque do motor de um carro através da medição da potência nas rodas desse carro, e com isso, podemos melhorar tais valores e verificar algum problema.
O carro fica com as rodas de tração sobre um rolo de metal, e ao acelerar o carro, o movimento da roda do carro é passado a esse rolo, e calculado através de uma célula de carga. Daí, as informações são passadas a um computador que nos mostra os valores atingidos.
Ta confuso demais??? Simples: É uma esteira ergométrica de carro!
Testando, ajustando e testando novamente. Tudo com o Tablet. Moderno, não?
CMN: E o que você foi fazer lá hoje no seu carro?
MR: Eu havia trocado o motor em maio, e com isso, precisava aferir e ajustar o novo coração do veículo. E podemos dizer: tá bem saudável! Gostei dos resultados!
CMN: Agora, conta pros nossos leitores mais aficionados, quais foram seus resultados de hoje no dino.
MR: Antes dessa passagem, o motor tinha por volta de 130 cv, e mais umas coisinhas que não estavam legais no comportamento dele. Hoje, conseguimos 135 cv, e o motor está bem mais liso!
Essa é a Tela da Verdade! Onde vemos se o coração está saudável ou não.
CMN: Sei que você é um grande incentivador da cultura de competição automotiva. Que dica você dá pra quem curte esse mundo e gostaria de fazer parte dele, mas não sabe por onde começar?
MR: Bom, há varias formas de se iniciar no esporte a motor, mas convenhamos, é um esporte caro.
Uma forma interessante é buscando eventos nos quais você pode competir com seu próprio veículo, e sim, é possível andar em um carro mais “normal”, até mesmo um 1.0l, e se divertir em muitas pistas por ai!
Diga-se de passagem: divertido e seguro, tanto para você próprio quanto para quem está no transito contigo. É tranqüilizante poder andar rápido num ambiente que não tem cachorro atravessando a pista, criança correndo atrás de pipa, pedestres, ônibus, caminhões, motociclistas e outros.
CMN: Considerações finais?
MR: Gostaria de agradecer a ti pela oportunidade de escrever para o CMN, ao pessoal da Hard Garage, ProTune, Auto Eletrico Sacomã e aos muitos amigos que estão sempre ajudando ou mesmo torcendo para dar tudo certo! Muito obrigado a todos!
CMN: O CMN que te agradece, Rubinho! Gostou da entrevista? Pra encerrar, vamos deixar um gostinho de como é dentro do dinamômetro, ao vivo. hehehe. Até a próxima, Coisos!!!