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50 anos do Aruanda, primeiro carro conceito brasileiro

Arte por Clube do Carro Antigo do Brasil

Texto de Gláucio Junqueiroz Teixeira

Em 1965, no Salão de Turim, Itália, foi apresentado ao público o Aruanda, primeiro carro conceito brasileiro. Tratava-se de uma concepção totalmente revolucionária e que lançava as bases dos automóveis dos dias de hoje.

Para celebrar esse acontecimento histórico, Ari Rocha, criador do veículo, fará uma palestra especial relembrando os desafios e a importância do projeto.

O evento será realizado durante o II Encontro Brasileiro de Autos Antigos de Águas de Lindoia, Sábado, dia 06/06/2015 às 14h, no Estande do Clube do Carro Antigo do Brasil.

História do Aruanda

Considerado um salto para o futuro, o Aruanda atendia a quesitos não usuais na época. Primeiro carro em forma de cunha em todo o mundo, sua aerodinâmica projetava o mínimo de resistência ao ar visando melhorar o desempenho e colaborar com a economia de combustível. De dimensão reduzida, mostrava-se como alternativa ao de trânsito que um dia viria a se tornar o grande desafio urbano. O projeto trazia ainda a preocupação com a segurança dos passageiros além de baixa ou nenhuma emissão de poluentes.

Criado pelo então jovem estudante de Arquitetura, Ari Rocha, o Aruanda recebeu o Prêmio Lúcio Meira no Salão do Automóvel de S.Paulo, em 1964.  O carro foi construído nas oficinas da Carrozzerie Fissore, na Itália, e foi considerado como o principal destaque no Salão de Turim, onde recebeu premiação especial. Após o grande sucesso internacional, Rocha voltou ao Brasil trazendo sua criação.

Apesar de várias propostas, a ideia de produção industrial do veículo foi frustrada. Após ser exibido numa série de eventos, o Aruanda foi dado como desaparecido. Reencontrado após 30 anos, foi restaurado pelo renomado Ricardo Oppi e hoje é uma prova material do arrojo e da criatividade brasileira.

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Monarca – um marco do automobilismo brasileiro

Monarca em seu relançamento no evento Clássicos do Brasil, em janeiro de 2015

Este é um carro muito especial. Foi idealizado e construído por italianos, mas em solo brazuca.

O desejo do empresário Ruy Machado de Almeida foi colocado no papel por Oliviero Monarca em parceria com Anísio Campos e construído por ninguém menos que Toni Bianco, junto com Danilo Grazzi, na oficina Monarca, no bairro do Bixiga, em São Paulo e é considerado o primeiro veículo fora-de-série do Brasil.

Toni Bianco ao lado do Monarca após 60 anos de sua construção, junto com Ricardo Oppi
Isso aconteceu na década de 50! Oliviero Monarca desenhou aproximadamente 10 carros e este parece ser o único remanescente.

Tem a plataforma de um Porsche 356 (que se vê na foto abaixo) , mas assim como todos os outros Monarcas, sua carroceria é super exclusiva. Reparem no parabrisa. Este foi um dos pontos mais importantes ao identificar-se a plataforma do veículo quando a restauração foi iniciada.

Porsche 356 Speedster
O carro foi restaurado na oficina do Ricardo Oppi, onde trabalho atualmente e eu tive a grande honra de participar de parte do projeto. Ele foi totalmente reconstruído a partir de apenas duas fotos de referencia e agora está assim!

Eu ao lado de Ricardo Oppi no relançamento oficial do Monarca, no evento Clássicos do Brasil

Bonito, né? Mas pensa no trabalhão que deu vendo como ele chegou na oficina!

Estado do Monarca antes do início do trabalho de restauração. Arquivo de Ricardo Oppi

E isso aqui era tudo o que se tinha para fazer o trabalho!

Duas únicas fotos utilizadas como referência para a restauração do Monarca

É... restauração é isso! :) Na verdade, ainda não terminou... Alguns detalhes ainda estão em construção e mais uma foto surgiu após o relançamento do carro, que vai contribuir com o término da restauração. Ainda assim, ele já está lindo e com todo o garbo e elegância da época em que nasceu. ;)

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Eu Consegui


Eu criei o Coisa de Meninos Nada em outubro de 2008. A idéia me veio dentro do ônibus do Anhembi. Eu estava voltando do Salão do Automóvel e pensando em como eu gostaria de escrever sobre carros, mas não teria oportunidade em nenhum lugar decente já que não sabia quase nada sobre o assunto.

Dei aula durante muitos anos e aprendi muito estudando para poder ensinar. Foi daí que me veio “A Luz”. O percurso do ônibus do Anhembi, da feira até o metro Tietê deve levar uns 15 minutos, no máximo, mas foi tempo suficiente para eu chegar à conclusão de que era isso que eu precisava fazer... estudar e começar a escrever sobre carros, mesmo que eu escrevesse bobagens no início, era a forma de eu começar a aprender mais sobre esta paixão que me acompanha desde criança.

E assim eu fiz... ainda dentro do ônibus eu bolei o nome do blog e já tratei de criar tudo e escrever o primeiro post assim que coloquei os pés dentro de casa.

Inicialmente eu pensei que poderia escrever sobre carros, música e tecnologia, e tudo mais o que me agradasse. Seria um blog de Coisas da Thais e, provavelmente, só para a Thais. Hahaha. Mas não é que as pessoas começaram a ler? E comentar! E eu acabava escrevendo mais sobre carros do que qualquer outra coisa, anyway.

Tava na cara que era isso mesmo que me encantava. A música sempre fez parte da minha vida também, mas nunca foi a mesma coisa. Lá com meus 13, 14 anos de idade eu tocava clarinete na Banda Municipal de Salesópolis (pasmem!). Sim! Na época que nos mudamos de São Paulo pro Horizonte Perdido eu tinha que me ocupar com alguma coisa e foi isso que escolhi. Era legal e tudo mais, mas não vingou. O que vingou mesmo foram os carros.

Fiz o curso Técnico em Manutenção Automotiva no SENAI, fiz estágio na oficina do Psor Fábio, por indicação do Psor Marcelino, trabalhei com o pessoal do CarZ escrevendo pro site do Autoshow, inclusive cobrindo semanalmente o Autoshow Collection, mas deu saudades da oficina, onde me senti tão a vontade, e voltei pra lá. Trabalhei na Garagem São Paulo e então recebi o convite para dar aulas de mecânica no Clube do Carro Antigo do Brasil.

Essa parte foi foda demais! Eu sempre amei carros antigos (dá pra perceber, né? Já que comprei um Maverick, meu sonho de infância!) e queria mesmo me especializar nestes, mas não esperava que fosse chegar a ensinar a arte da restauração! Mais foda incrível ainda foi quando o Ricardo Oppi me convidou para trabalhar com ele! Na oficina dele (que tem tantas alfas e peças de alfas que apelidamos carinhosamente de alfisina, nome que meu grande amigo Irineu Desgualdo já tinha inventado)! Isso, pra mim, significou: Eu consegui!

Já apareci em revistas e na TV algumas vezes por causa da minha mudança radical de profissão deixando para trás uma carreira consolidada pra começar tudo de novo e, em parte, pelo fato de eu ser uma mulher dentro de uma oficina, mas o que me importa mesmo é que Eu Consegui! Hoje trabalho com o que amo e faço isso feliz!

Não tenho mais tempo pra nada, mas estou escrevendo aqui hoje em uma tentativa de retomar as atividades do Coisa. A idéia é contar um pouco do que faz parte da minha vida: um pouco sobre os carros, um pouco sobre a rotina da oficina, um pouco do que eu fazia no Deixa que eu Faço, um pouco de tudo...

Não dá pra prometer, já que to trabalhando o dia todo na alfisina e as noites e sábados no Clube do Carro Antigo, mas o pouco que eu conseguir escrever por aqui e alguma contribuição eventual que eu puder fazer lá no Vadio Amor já vai ser bacana outra vez.

E vamos que vamos... agora, só pra ostentar um pouco... vai a lista de lances onde eu apareci. hahaha

Revista Epoca 801 - Como Achar o Trabalho da Sua Vida










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